
A Bahia registrou 3.622 violações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 1º de janeiro e 1º de agosto de 2026, aumento de 40,6% em relação às 2.576 ocorrências contabilizadas no mesmo período de 2025. Os dados são do painel da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e incluem casos de abuso e exploração sexual.
O crescimento das violações não foi acompanhado pelo número de denúncias, que apresentou leve redução no período analisado. Entre janeiro e 1º de agosto de 2025, foram registradas 1.317 denúncias na Bahia, contra 1.292 no mesmo intervalo deste ano, queda de 1,9%.
Em todo o ano de 2025, a Bahia contabilizou 4.773 violações e 2.370 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes. No país, foram registradas 75.225 violações e 37.650 denúncias no período, enquanto, entre 1º de janeiro e 1º de agosto deste ano, os números nacionais chegaram a 62.273 violações e 23.377 denúncias.
Para a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente (CAOCA), do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), promotora de Justiça Ana Emanuela Cordeiro Rossi, os registros apontam a exposição de crianças e adolescentes a diferentes formas de violência. “Os dados demonstram que crianças e adolescentes têm sido as maiores vítimas de violações de direitos humanos no ambiente digital e de violações relacionadas à exploração sexual e abuso sexual”, afirma.
Cyberbullying
Entre os riscos apontados pela promotora estão cyberbullying, discursos de ódio, cooptação por criminosos, exposição da privacidade e de dados pessoais, golpes virtuais e acesso a conteúdos violentos ou de natureza sexual. O MPBA mantém uma campanha de proteção no ambiente digital com o alerta de que “o cuidado não pode ficar só no off”, voltada à supervisão das relações e interações mantidas por crianças e adolescentes nas redes.
Além dos sinais comportamentais, alterações físicas podem levar à identificação de possíveis casos de violência sexual, conforme informações da Febrasgo. Lesões genitais ou anorretais, infecções sexualmente transmissíveis e presença de sangue, sêmen ou outras secreções nas roupas íntimas estão entre os sinais que podem indicar a necessidade de investigação, embora isoladamente não sejam considerados confirmação de abuso.
Casos também chegam ao Ministério Público por meio de comunicações feitas por unidades escolares, parentes, vizinhos e outras pessoas próximas às vítimas, além de atendimentos realizados em unidades de saúde. Após receber a informação, o órgão instaura procedimentos para investigar os fatos e prioriza medidas de proteção, entre elas o afastamento do possível agressor, antes de adotar as providências para responsabilização dos autores.