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Moacyr Ribeiro. O jornalismo policial da Bahia perdeu uma de suas referências

Jornalista Moacyr Ribeiro (Foto: Reprodução)

 

O jornalismo policial da Bahia, perdeu no último sábado (25), uma de suas legendas, com o falecimento do jornalista Moacyr Ribeiro, um dos nomes mais importantes da história do jornalismo policial na Bahia. Dono de um estilo marcante e reconhecido por sua dedicação à reportagem, Moacyr construiu uma trajetória de mais de três décadas cobrindo os bastidores da segurança pública e da criminalidade em Salvador.

Compromisso

Moacyr iniciou sua atuação na editoria de Polícia em 1962 e permaneceu por 35 anos acompanhando alguns dos episódios mais emblemáticos da história policial baiana. No Jornal da Bahia, viveu de perto um período marcado pela ascensão e queda de Manoel Quadros, chefe do chamado Esquadrão da Morte no estado, produzindo reportagens que denunciaram crimes, esquemas de corrupção e a atuação de grupos de extermínio ligados à estrutura da segurança pública.

Muito antes de o trabalho em tempo integral se tornar rotina nas redações, Moacyr dedicava dias à apuração de uma única reportagem. Frequentava ambientes de difícil acesso, acompanhava operações policiais e perseguia histórias até reunir todos os elementos necessários para publicá-las. O jornalismo policial, costumava dizer, era uma “cachaça”.

Relembrando Moacyr Ribeiro

“Tive na figura do jornalista Moacyr Ribeiro, uma de minhas primeiras referências na cobertura policial, quando ingressei no Jornal da Bahia, em junho de 1978, por indicação do então diretor Maurício Neiberg.Pisava na redação do jornal, na Avenida J.J. Seabra (Barroquinha), em Salvador, para receber as orientações de pautas do editor de municípios, jornalista Utamá Sebastião, sobre o trabalho que começaria a fazer, quando Moacyr Ribeiro adentrou no espaço e se dirigiu a minha pessoa revelando que tinha muitos parentes da família Ribeiro, em Jequié, buscando informações sobre muitos deles. Disse que conhecia meu pai e, em seguida passou a orientação para que eu fosse devagar, nunca muito afoito, com relação à cobertura de fatos policiais. Nunca queira ser o primeiro a dar a notícia sem checar as fontes e Seguiu dizendo para que eu procurasse reunir o máximo de detalhes antes de redigir uma reportagem policial, porque todas as ocorrências sempre vem acompanhadas de muitas versões…”, relembra o jornalista Wilson Novaes Júnior, editor do Blog Jequié Repórter, desse seu primeiro contato pessoal com Moacyr Ribeiro.

Mesmo diante dos riscos inerentes à cobertura que realizava — e dos alertas de familiares e amigos —, Moacyr sempre manteve o compromisso com a reportagem e com a divulgação de fatos que considerava de interesse público.

Em 2022, sua trajetória foi registrada pelo projeto Memória da Imprensa, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em entrevista concedida ao jornalista Valber Carvalho. O depoimento preserva lembranças de uma geração de repórteres que ajudou a escrever importantes capítulos da história do jornalismo baiano. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão no momento de despedida.

Em redes sociais, colegas de profissão – alguns dos quais ex-companheiros de redação – também manifestaram pesar pela morte de Moacyr Ribeiro, destacando sua trajetória e contribuição ao jornalismo baiano.

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