
Entre os dias 13 e 16 de agosto, estará acontecendo a 9ª Feira Literária de Mucugê, cidade histórica da Chapada Diamantina que estará recebendo artistas que transformaram a palavra em matéria-prima de suas obras e que ajudam a ampliar a proposta da edição deste ano, cujo tema é “Literatura e múltiplas formas do dizer”.
Mais do que uma feira literária, a Fligê consolidou-se como um dos principais encontros culturais do Nordeste, reunindo literatura, música, teatro, artes visuais, oralidade e formação de leitores em uma programação gratuita que ocupa diferentes espaços da cidade histórica de Mucugê. Em 2025, o evento reuniu cerca de 35 mil pessoas, mobilizou participantes de 73 municípios baianos, alcançou 100% de ocupação da rede hoteleira local e recebeu aproximadamente 8 mil estudantes, reafirmando seu papel na democratização do acesso à cultura, no fortalecimento da economia criativa e na valorização das múltiplas formas de expressão artística.
A abertura dos shows acontece já na quinta-feira (13), data da abertura do evento, às 21h, com Chico César, um dos artistas brasileiros que melhor sintetizam essa relação entre literatura e música. Na sexta-feira (14), às 11h, ele retorna à programação para dividir a Conversa Literária “Letra e Som” com Itamar Vieira Junior, um dos escritores brasileiros de maior projeção internacional na atualidade. O encontro reúne dois autores que, por caminhos distintos, fazem da palavra um instrumento de criação, reflexão e identidade.
Ainda na sexta-feira, às 20h30, a cantora, compositora e atriz Ana Barroso apresenta o espetáculo Repentina, que percorre ritmos como baião, coco e cantoria, aproximando canções autorais da tradição musical nordestina. Sua apresentação traduz um dos princípios da Fligê: valorizar as diferentes formas de narrar o Brasil, especialmente aquelas que nascem da cultura popular.
Na sequência, às 22h, o palco recebe Jussara Silveira e Sylvia Patrícia com o espetáculo Balada de um Vagabundo – A Música de Waly Salomão. O show presta homenagem ao poeta, letrista e multiartista baiano, nascido em Jequié, cuja obra atravessou a literatura, a música e as artes visuais, reafirmando o quanto a poesia pode encontrar novos sentidos quando ganha voz e interpretação.
A programação também destaca uma das matrizes mais antigas da literatura brasileira: a tradição oral. Poeta, cordelista e cantador, Maviael Melo participa da Fligê em dois momentos que dialogam diretamente com o tema da edição. No sábado (15), às 9h, ele integra a mesa “Literaturas do ouvir: tradição oral”, refletindo sobre a permanência das narrativas transmitidas pela voz, pela memória e pela convivência comunitária. Mais tarde, às 14h, na Praça das Lanternas, apresenta o espetáculo “Entre Versos e Canções”, reunindo poesia, cordel e música em uma celebração das expressões populares nordestinas.
No sábado, às 22h30 o público da Fligê tem um encontro com Armandinho, um dos maiores instrumentistas da história da música brasileira e herdeiro da tradição criada por Dodô e Osmar. Sua presença aproxima a Fligê de um dos capítulos mais importantes da cultura baiana, celebrando uma trajetória que ajudou a projetar a música do estado para o mundo.
Já no domingo (16), às 21h30, Maria Gadú encerra a programação musical da feira. Reconhecida por um repertório que combina delicadeza, profundidade e forte identidade autoral, a artista leva à Chapada Diamantina um espetáculo que reafirma a potência da canção como espaço de narrativa e expressão poética.
Para 2026, a Fligê já confirmou a presença da escritora Mariana Salomão Carrara, do escritor Itamar Vieira Junior e da poeta Lívia Natália. “A gente está provocando justamente o encontro do público com a Literatura nas suas diferentes dimensões e gêneros. Tem a literatura para as crianças, para esses públicos da juventude, para as diversidades, adultos, jovens e também a Literatura nos seus diferentes gêneros literários e outras possibilidades de expressões artísticas”, afirma a curadora da Fligê, Ester Figueiredo.