
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes levou às redes o embate com o colega de Corte André Mendonça na manhã de quinta-feira (17/9). Em postagem no X, defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou que ele “teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam”.
“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor?”, questionou o decano, afirmando que, ao publicar vídeo nas redes, agradecendo apoio popular, Mendonça teria escancarado “a intenção de lucrar politicamente com o episódio”.
Gilmar considera que o momento dos vazamentos não foi por acaso. “O levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”. “Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, voltou a acusar.
A críticas nas redes espelham o embate entre Gilmar e Mendonça. Durante a sessão extraordinária do STF da última terça-feira (15), Gilmar saiu em defesa de Gonet e afirmou que Mendonça age com “sentimento policialesco”. “É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade”, disse Gilmar, que usou, também dessa vez, o xingamento “pixuleco eleitoral”. O comentário deu início a um bate-boca no plenário.
Mendonça acusa Gilmar de transformar STF em ‘picadeiro’
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu as críticas feitas pelo colega Gilmar Mendes e acusou o decano de transformar o plenário da Corte em “palanque ou picadeiro”. Em nota divulgada pelo gabinete, Mendonça também afirmou que Gilmar recorreu à “truculência” e a “ilações vazias” durante os embates entre os dois e defendeu a criação de um código de ética para os integrantes do Supremo.
A resposta foi divulgada pouco depois de Gilmar voltar a atacar Mendonça nas redes sociais, chamando-o de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. O decano acusou o relator do caso Banco Master de tentar obter ganhos políticos com a divulgação de informações da investigação e criticou a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mendonça iniciou a nota citando a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que proíbe magistrados de se manifestarem publicamente sobre processos pendentes de julgamento e de emitirem juízo depreciativo sobre decisões judiciais fora dos autos ou de obras técnicas.