Com atividades paralisadas trabalhadores terceirizados repudiam posicionamento da Reitoria da Uesb

Trabalhadores das empresas que prestam serviços terceirizados à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que iniciaram a paralisação por tempo indeterminado das atividades na quarta-feira (14/10), reclamando de dois meses de salários atrasados e o não cumprimento de direitos trabalhistas da categoria, distribuíram nota, na qual repudiam e se dizem indignados, com a nota emitida pela Reitoria da instituição “que revela um profundo descompasso entre o discurso institucional e a realidade enfrentada no chão da universidade”.
Os trabalhadores terceirizados consideram inaceitável que a gestão que publicamente se alinha às pautas sociais e se diz defensora dos menos favorecidos “adote uma postura de insensibilidade e coação velada contra trabalhadores que garantem o funcionamento diário da instituição”.
Na interpretação dos trabalhadores, a Reitoria apela para a “continuidade dos serviços públicos” e a “preservação do calendário acadêmico”, mas ignora deliberadamente a pergunta central: como exigir o retorno ao trabalho de pais e mães de família que estão há dois meses sem receber seus salários?
A situação nos campi não é de mera insatisfação administrativa, mas de emergência humanitária:
- Falta do básico: Há trabalhadores com as dispensas vazias, sem alimentos para seus filhos e sem dinheiro para comprar o gás de cozinha.
- Saúde e dignidade em risco: Trabalhadoras gestantes, inclusive com quadros de internamento e complicações, vivenciam o estresse extremo da privação financeira e da falta de assistência.
- Descaso com a sobrevivência: A Reitoria trata dois meses de atraso como uma trâmite burocrático que “exige tempo”, desconsiderando que a fome e as contas de água, luz e remédios não esperam a tramitação de processos administrativos.
A tentativa de enquadrar as mobilizações e a paralisação dos trabalhadores como “excessos” ou de focar unicamente nos transtornos logísticos dos campi serve apenas para desviar o foco da responsabilidade institucional. Transferir o ônus do inadimplemento das empresas contratadas para a costa dos trabalhadores terceirizados, exigindo que trabalhem de graça para conter prejuízos de terceiros, é uma atitude autoritária e deshumana.
O direito de greve e de mobilização é a única ferramenta de defesa de quem foi privado do seu meio de subsistência. Apontar constrangimento nas manifestações enquanto se coage o trabalhador faminto a retornar ao posto de trabalho sob pressão e apelos vazios de “esforço coletivo” é uma contradição moral inaceitável.
Diante do exposto, os trabalhadores e as entidades que os apoiam declaram:
- A manutenção da mobilização: Não há condições dignas nem financeiras (inclusive para custear o transporte diário) para o retorno às atividades no dia 19 de outubro sem o efetivo pagamento dos salários atrasados.
- Exigência de solução imediata: A responsabilidade direta pelo pagamento e pela fiscalização dos contratos é da Administração Superior da UESB, que deve viabilizar a quitação dos débitos sem empurrar a conta para a ponta mais fraca.
- Fim da coação: Exige-se o fim de qualquer ato de intimidação ou apelo institucional para furar a greve legítima daqueles que hoje passam por privações básicas dentro da universidade.
A continuidade da UESB não se faz apenas com portões abertos e calendário mantido; faz-se, antes de tudo, com respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais de quem nela trabalha.








