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Coordenador da SEPROMI rebate declarações de Pablo Marçal sobre religiões de matriz africana

Jornalista e Ogã, Tiago Henrique atua na SEPROMI na formulação e no acompanhamento de políticas públicas voltadas aos povos de terreiro.

 

As declarações do empresário e influenciador Pablo Marçal sobre religiões de matriz africana provocaram reação do coordenador executivo de Políticas para Povos de Terreiro da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (SEPROMI), Tiago Henrique Batista.

Em entrevista ao jornal A Tarde, Marçal afirmou que “se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai” e que “todo macumbeiro é um derrotado na vida”. Para Tiago Henrique, jornalista e Ogã do Candomblé, as falas reproduzem preconceitos históricos e configuram racismo religioso.

“Quando alguém transforma milhões de pessoas, suas crenças e tradições em sinônimo de fracasso, está reproduzindo uma lógica histórica de discriminação”, afirmou.

O coordenador também criticou a comparação entre a Bahia e Dubai, destacando que a riqueza do estado vai além de indicadores econômicos. “A Bahia não precisa ser Dubai para ser grande. Nossa riqueza está na cultura, na ancestralidade e na contribuição dos povos negros para a construção da identidade baiana”, disse.

Segundo Tiago Henrique, o termo “macumba” foi utilizado de forma pejorativa e não representa a diversidade das religiões de matriz africana. Ele ressaltou ainda a importância histórica dos terreiros na preservação de conhecimentos, manifestações culturais, culinária, música e formas de organização comunitária.

“Há riquezas que não aparecem em uma conta bancária. Existe prosperidade na preservação da memória, no acolhimento e na transmissão de saberes entre gerações”, afirmou.

Tiago Henrique também defendeu que o debate sobre religião seja conduzido com respeito e responsabilidade. “A liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para disseminar intolerância religiosa”, pontuou.

O coordenador da SEPROMI afirmou ainda que o caso deve ser apurado pelas autoridades competentes e que eventuais responsabilidades sejam analisadas nos termos da legislação.

Ao concluir, destacou que a Bahia não precisa de comparações para afirmar sua importância. “Uma das maiores riquezas do povo baiano está justamente na ancestralidade, na diversidade e na resistência dos seus povos”, finalizou.

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