Nordeste deve registrar 17 mil novos casos de câncer de mama por ano

O Nordeste deve registrar mais de 17 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença lidera a incidência entre as mulheres no país, com 30% dos casos estimados para a população feminina, à frente dos tumores de cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
Os números fazem parte da publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”, que prevê 781 mil novos casos da doença por ano no país durante o triênio. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma, apresentados separadamente devido à alta incidência e baixa letalidade, a projeção é de aproximadamente 518 mil novos casos anuais.
Gordura corporal, consumo de álcool, inatividade física e fatores genéticos e hereditários estão entre os fatores de risco para o câncer de mama apontados pelo oncologista Alberto Nogueira, coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Português – Oncovida. A presença de uma dessas condições, segundo o especialista, não determina o desenvolvimento da doença.
A idade também está relacionada ao aumento da incidência, principalmente entre mulheres com mais de 50 anos, segundo Nogueira, enquanto os casos hereditários representam uma parcela menor dos diagnósticos. “O câncer hereditário em mama corresponde a aproximadamente de 5% a 10% do total de genes como BRCA1 e BRCA2 estão entre os mais conhecidos”, explica o oncologista.
A existência de casos da doença na família é um dos aspectos que devem ser considerados na avaliação de cada paciente, principalmente diante da possibilidade de fatores genéticos e hereditários. “Por isso, a história familiar é importante e precisa ser avaliada individualmente”, acrescenta.
Para mulheres sem sintomas, o Ministério da Saúde recomenda, como estratégia populacional no Sistema Único de Saúde (SUS), mamografia de rastreamento a cada dois anos para aquelas acima dos 50 anos, segundo o oncologista. O exame permite identificar alterações antes que possam ser percebidas pela palpação: “Já na mamografia você consegue identificar microcalcificações, ou seja, doenças que às vezes na maioria das vezes ainda não é palpável”, explica.
A exposição à radiação durante a mamografia também está entre as dúvidas relacionadas ao rastreamento, mas Nogueira afirma que o procedimento utiliza radiação ionizante em baixa dose. “E feito no período correto a cada dois anos não traz nenhum malefício para o corpo”, diz o médico, que destaca o papel do exame no diagnóstico precoce do câncer de mama.









